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Juarez e Sancho Pança

Janeiro 30, 2008

Já estavam bem distantes,
Quixote, Juarez e Sancho,
Do sítio da Inês,
Origem de todas as aventuras.

Dom Quixote ia calado, imerso em pensamentos
De suas andanças e batalhas lembrava-se,
Os perigos vividos, as donzelas salvas,
Completamente mudo e ranzinza.

Sancho Pança não entendia,
A tristeza do cavaleiro,
Proseava animado,
Com seu caprino companheiro.

Contava os causos, as estranhas estórias,
O pano de fundo de suas aventuras,
Juarez estava mais do que interessado,
Riam até gargalhar.

Contou das trapalhadas às surpresas,
Do moinho-gigante à doce Dulcinea,
E o encontro com o cavaleiro,
Num distante vilarejo.

Estava comendo, fazendo jus ao nome,
Na taberna chegou empoeirado e faminto,
Um estranho cavaleiro,
Dom Quixote era seu nome.

Penalizado, Sancho ajudou o desconhecido,
Dom Quixote só ouvia,
A boca estava atarefada demais,
Com os pratos que comia.

Depois de cheio e aquecido,
Contou de seus sonhos,
A vontade de correr o mundo,
Ajudando desconhecidos.

Sancho logo se empolgou,
Uma chance de fazer o bem,
Conhecer outros lugares,
E viver grandes aventuras.

Fecharam o acordo,
Escudeiro seria,
Sancho Pança,
E dom Quixote de La Mancha.

E assim correram o mundo,
Até encontrarem o sitio,
E o amigo cabrito,
E agora iam, a rir pela estrada.

A pedido da Ly, do blog Divino Se Não Fosse Humano.

Juarez e a “batalha” das ovelhas

Novembro 4, 2007

Era o amanhecer, o dia seguinte da chegada,
De Dom Quixote e seu fiel escudeiro,
Nas terras do sítio da Inês,
Lar de Juarez o Cabrito Montês.

O sol nascente os pegou na estrada,
Rumavam direto para as montanhas,
Iam alegres e bem dispostos,
Falantes como nunca.

Menos o cavaleiro,
Soturno, um pouco, acordara,
Lembrava dos tempos de riqueza,
De sua fidalguia perdida.

Juarez, percebendo, logo se acercou,
“O que há nobre cavaleiro?”, perguntou,
“Lembro-me dos tempos em que tudo era diferente”,
“Dos criados que tinha, das terras que possuía”, respondeu.

Havendo perdido tudo, riquezas, terras e criados,
Tornara-se um cavaleiro errante,
Atrás de sua redenção,
Das glórias esquecidas.

O cabrito, intrigado, não estendeu o assunto,
Foram-se pelos campos,
Agora todos calados,
Mas tudo mudaria.

Em determinada curva da estrada,
O cavaleiro exclamou,
“Um exército!”,
Juarez parou, de súbito, espantado.

“Ora, são ovelhas”, pensou,
O mais estranho é que por ali,
Ovelhas não havia,
Que mágica seria aquela?

Pensando tratar-se de inimigos,
Dom Quixote, de lança em punho,
Preparou-se para atacar,
Esporeou seu cavalo e partiu.

As ovelhas baliram, assustadas,
Os pastores e seus cães de guarda,
Ficaram de prontidão,
Para impedir tal confusão.

Juarez, por sua vez,
Temendo pelo seu novo amigo,
Disparou atrás e, numa manobra arriscada,
Desviou a atenção do cavalo.

Don Quixote caiu, sentado,
Levantou-se dolorido, furioso,
“Como ousa impedir meu ataque”, exclamou,
E bufava.

“Nobre cavaleiro, entendo sua raiva”,
“Mas em campos do sítio”,
“Não se combatem as ovelhas”,
“Por mais mágicas que sejam”, respondeu.

“Combatemos piratas e quimeras”,
“Mas animais assim não merecem nossa atenção”,
“O que dirão de Dom Quixote”,
“Se tal história correr o mundo”, perguntou.

O cavaleiro caiu, então, em si,
Percebeu a bobagem que estava fazendo,
E, rindo, montou novamente,
E voltou para o caminho que trilhavam.

“Pobre cavaleiro”, pensou Juarez,
“Que riquezas terá perdido para custar sua sanidade?”,
Retornou também à trilha,
Agora um pouco triste pelo amigo.

As ovelhas? Bom, as ovelhas eram mesmo mágicas,
Como tudo no sítio, aliás,
O lar fantástico de Juarez,
O Cabrito Montês.

Juarez e Dom Quixote

Agosto 22, 2007

Como sempre raiou o sol,
Iluminando aos poucos,
O sítio da Inês,
Lar de Juarez, o Cabrito Montês.

Seria mais um dia,
De alguma folia,
Por ser dia do folclore,
Estavam todos em agitação.

No terreiro o saci-pererê,
Nos seus remoinhos,
Bagunçava tudo e, com ele,
Outros personagens fantásticos.

Enquanto observava a branda confusão,
Ouviu-se uma trombeta ao longe,
Trombeta de cavaleiro, pensou Juarez,
Uma visita da princesa Penélope, talvez.

Não, não era uma visita da princesa,
Um personagem estranho e engraçado apareceu,
Montando um pequeno burrico,
Sancho pança, com sua barriga.

Atrás dele, altivo e imponente,
Cavalgando seu Rocinante,
Vinha o cavaleiro,
Dom Quixote de la Mancha, era seu nome.

Juarez ficou impressionado,
Como todos aliás,
Com tão estranha figura,
De capacete, armadura e lança.

Seu escudeiro, pois era a função de Sancho,
Saltou alegre e festivo,
No meio dos fantásticos personagens,
Perguntou pelo senhor daquelas paragens.

“Não temos senhor”, respondeu Juarez,
“Apenas uma doce e amistosa senhora”, completou,
Dom Quixote, o cavaleiro, levantou as sobrancelhas,
Inquieto.

O cavaleiro pasmou-se diante de tal fenômeno,
Um cabrito falante jamais encontrara,
Ainda mais tão articulado,
Que lugar mágico seria aquele?

“Soube que uma fera habita esse lugar”, trovejou,
“A única que passou por aqui foi a Quimera”,
“Mas ela já foi derrotada”,
“E os piratas malvados também”, disse o cabrito.

Aparentando cansaço e desânimo, disse,
“Vim de muito longe, em busca de aventuras”,
“Não posso voltar de mãos abanando”,
“Tenho uma missão a cumprir”.

“Ora, bravo cavaleiro, não se faça de rogado”, ponderou Juarez
“Em nossas paragens há muitas aventuras e desafios”,
“Cavalgue por aí e verá que tenho razão”,
Assim dito, calou-se o cabrito.

Sancho, um moderado escudeiro,
Percebeu o erro da informação,
O tal estalajadeiro na estrada,
Havia pregado uma peça.

Riu-se sozinho, no começo,
Logo seguido por seu senhor,
Em estrondosa gargalhada caíram,
Até as lágrimas correrem.

“Muito bem”, definiu-se Dom Quixote,
“Posso ser audaz mas não sou louco”,
“Vou procurar então as aventuras”,
“Que por aqui devem existir”.

“Ajudo-o prezado cavaleiro”, decidiu-se Juarez
“Posso acompanhá-lo e guiá-lo”,
“Sou ágil e destemido”,
“Serei um valoroso escudeiro”.

E lá se foram eles,
Atrás de seus moinhos,
Liderados por Juarez, o Cabrito Montês,
Cavaleiro do castelo da princesa.

Imagem: Pintura representando Dom Quixote e Sancho Pança, por Honoré Daumier.

Arvorismo

Julho 31, 2007

Oi, eu sou a Bárbara. Há alguns anos eu gosto de muitas aventuras. Você sabia que passar no arvorismo é uma sensação muito boa? É um exercício. Você já se imaginou numa aventura numa pirâmide ou em um vulcão a disparar? Você teria uma sensação incrível passando pela ponte, pela corda e pela teia. Aventura é uma descoberta incrível e impensável.

Se alguém ganhasse um amuleto mágico, que dá azar, com certeza você daria para a pessoa de volta. Azar é uma palavra muito ruim, bem assustadora. Se você estivesse no espaço, com uma águia do mar gigante, qual seria a coisa que você faria primeiro? Você fugiria? Ou atirava nela? Você sairia do planeta antes da águia atacar?

Uma aventura é uma coisa legal. Você pode ir no mar, numa pirâmide antiga ou no arvorismo. Você já conheceu uma ostra? Tem pérolas, tesouros bem valiosos. Você sabia que meu pai matou um tubarão? Se teu pai te desse um dente de tubarão de presente com certeza você iria colecionar.

Ditado por Bárbara Rayol.

Juarez e Irene, a esperança

Julho 31, 2007

Ao raiar do dia,
No sítio da Inês,
Era sempre uma alegria,
Cheia de afazeres a cumprir.

O cabrito montês,
De dentro de sua baia,
Espreguiçava-se,
Ainda dolorido da batalha.

Ruminando seus pensamentos,
Procurou logo se alimentar,
Precisava forte ficar,
Nunca sabia das surpresas a encontrar.

Era um dia de vento,
Daqueles bem fortes,
Dia de saci,
O grande arteiro da floresta.

Mas não foi isso,
Que causou espanto,
Foi uma confusa esperança,
Que caiu esborrachada na sua frente.

Levantou-se ela ainda tonta,
Olhou bem na cara do cabrito,
Pôs-se a rir,
E perguntou onde estava.

Ao descobrir o local,
Aonde a levara o vendaval,
Ficou mais do que satisfeita,
Estava onde queria.

Viajava por todo canto,
Com seu verde manto,
Sua tagarelice alegre,
Levando esperança a quem devia.

“Chegou tarde”, disse o cabrito,
Ontem mesmo é que precisávamos,
De esperança e valentia,
Para a batalha que havia.

“Ora menino”, respondeu Irene,
Pois era assim que se chamava,
A verde esperança,
“Estou sempre presente”.

“Nos momentos de tristeza, trago alegria”,
“Na dor, trago alívio”,
“A saudade comigo não se cria”,
“E a verdade sempre aparece”.

Pensando no que foi dito,
Lá se foi o cabrito,
Contar as boas novas,
Da inesperada visita.

E foi com grande festa,
Aplausos e gritaria,
Que a esperança foi recebida,
No lar de Juarez, o Cabrito Montês.

(imagem da Irene de autoria de Tacio Philip)

Ciências

Julho 16, 2007

Mudando um pouco de ares. Do esporte à ciência.

Pesquisadores americanos irão gastar uma fábula para desvendar um dos mistérios do século XX. Utilizando a mesma tecnologia usada nas montanhas do afeganistão, para caçar sem sucesso Bin Laden, irão solucionar o desaparecimento, há 70 anos, da aviadora Amelia Earhart. Cercados por tubarões e caranguejos selvagens (o que é interessante pois nunca vi um caranguejo domesticado), lá onde Judas curou as frieiras, os cientistas sonham com essa vitória para depois descobrirem, afinal, o que aconteceu com Glenn Miller. Pesquisas realmente importantes para a humanidade.

Já que o assunto é ciências, o físico Luiz Pinguelli Rosa, secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, é cético quanto ao papel da tecnologia nuclear no combate ao efeito estufa. “É um absurdo o que vai ser gasto com Angra 3″, diz. “Não consegui entender por que ela será tão cara”. Não sabe? Ou é ingênuo ou é alienado.

Deserção

Julho 15, 2007

Um atleta cubano, do handebol, desertou de sua delegação. Se ele não pedir asilo em uma embaixada, digamos americana ou européia, escolheu o país errado.

A vaia

Julho 14, 2007

Sem dúvida a notícia da semana é a vaia que Lula recebeu na abertura do Pan. Se foi uma vaia repudiando tudo que o (des)governo representa, os escândalos que patrocina, as maracutaias dos amigos, correligionários e familiares, a incompetência no combate à violência, o “relaxe goza” ministerial ou, simplesmente, contra, mais uma, gafe cometida, jamais saberemos.

O que me deixa indignado é que um evento desse porte irá obliterar a percepção das coisas. Será que daqui a 20 dias irão lembrar que o projeto do Pan custou 10 vezes mais do que o originalmente orçado? Irão lembrar que o Renan existe? Ou que a elite política é intocável, mesmo fazendo as maiores barbaridades com nosso dinheiro?

A conferir.

Em tempo: Direto do blog Jogando Conversa Fora: As delegações foram todas aplaudidas, exceto a da Chavezlandia, Bolóvia e Estados Unidos que foram vaiadas.

Voltando à programação normal

Julho 13, 2007

Realmente a politicagem brasileira deveria ganhar algum prêmio mundial. Sempre se superam. A Assembléia Paulista vai adotar o cartão-combustível para abastecer os 56 veículos utilizados em serviços administrativos. O limite de gasto mensal, por veículo, é de 1.200 litros (24 tanques). “A idéia é evitar gargalos. O entendimento da comissão é que isso vai agilizar, vai facilitar e vai dar transparência. Por isso não temos nenhum problema em adotar a medida”, disse o presidente da casa.

A única idéia por trás dessa benesse é encherem o rabo dos nobre repre$entante$ paulistas de grana. Qualquer outra consideração é deboche. Mais um.

Dia do rock

Julho 13, 2007

Saindo um pouco da mesmice. Hoje é o Dia Mundial do Rock. Então indico dois blogs de aficcionados.

Agora é rock

Notas do velho safado