Há dois anos atrás ocorria uma tragédia, de proporções épicas, que se abateu sobre o sudeste asiático. Um dia onde mais de 300 mil pessoas morreram e milhões ficaram desabrigadas. Um conhecido morreu e já postei aqui anteriormente sobre o assunto e não vou tomar o tempo de vocês descrevendo minha saga para tentar ajudá-las, mas resumindo, no dia 27/12/2004 comecei a me mobilizar nesse sentido. Vivenciei situações bizarras e kafkanianas. Entre elas:
a) Ausência de comando no governo do estado de Santa Catarina por ocasião das festas de fim de ano: não encontrei uma pessoa que tivesse autoridade para liberar a Defesa Civil nesse movimento;
b) A Cruz Vermelha Brasileira não podia receber donativos em produtos, apenas em dinheiro, pois não tinham como transportar até o local, situação bizarra considerando que o dinheiro arrecadado nos países ricos poderiam ajudar a financiar do envio destes donativos;
c) O Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão público destinado a este tipo de ação interna e externa, que apesar de se mobilizar (vejam os e-mails abaixo) não fez porra nenhuma, como podem ver neste link.
E-mail de 05/01/2005
Prezado Ricardo
O espírito de solidariedade que você demonstra é excepcional. Entenda que o Governo Federal está próximo de tomar importante decisão a rspeito da coleta, armazenamento, triagem, embalagem e transporte.
De modo algum você está sendo chato.
Peço que aguarde posição oficial do Governo Brasileiro e, então, poderá usar toda sua capacidade de gestão, de planejar e de colaborar com ações objetivas e e com metas definidas, tudo com a finalidade de ajuda humanitária.Mantenha contato, ok?
E-mail de 07/01/2005
Prezado Ricardo
O Presidente da República decidiu que as Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica – estarão recebendo o material que já foi coletado pelas instiuições, população em geral, ONG’s, etc. O Ministério das Defesa deve estar orientando as Forças a respeito. Posteriormente, o material será transportado para a área afetada pelo maremoto pela Marinha Mercante e aviação comercial.
Toda a inércia e incompetência, deste (des)governo, apareceram neste episódio, pelo menos no meu ponto de vista. Um dos argumentos à época é que era muito caro mandar os donativos. Coisa de US$ 15.000,00 por viagem de avião da FAB. Que a coisa toda custasse uns US$ 600 mil, pouco mais de R$ 1.700.000,00, troco perto da roubalheira que se descobriu posteriormente. E mesmo que não a houvesse não ia representar nada se o (des)governo Lula realmente quisesse ser o líder em relação a fome no mundo (quer exemplo melhor do que esse para se projetar?). Vão entender de marketing internacional assim lá em Brasília.
Tenho, porém, que fazer a ressalva em relação a duas pessoas que, apesar de estarem com as mãos atadas, me ajudaram a descobrir o caminho no meio da burocracia medonha: Um major da Defesa Civil do Estado de Santa Catarina e o sub-comandante da Base Aérea de Florianópolis (infelizmente não lembro os nomes mas fica o registro). Foram excepcionais.
Destaco também a força dada pelo editor do Diário Catarinense, Giancarlo Baraúna, e sua equipe de repórteres, que se prontificaram a divulgar a campanha, caso fosse adiante, e que publicaram matéria na edição de 05/01/2005.
Me senti um inútil, um merda mesmo. Mas no final das contas fica o exemplo de solidariedade. Meu irmão conseguiu mobilizar uns amigos e compraram tabletes de purificação de água suficiente para atender 10 mil pessoas por um mês. Deve estar sendo usada em alguma piscina de algum político desgraçado no meio desse Brasil.